sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Djalmão

Aconteceu numa favela da periferia num dia de sol muito quente.

O calor estava insuportável quando três homens entram num pequeno barraco, quente e úmido, arrastando pelo braço um rapaz magro e franzino. Dentro do barraco estava o Djalmão, um negão enorme sentado num engradado de cerveja. Djalmão tinha a cara de quem vive entediado, naquele momento transpirava um cheiro terrível, mastigava um palito num canto da boca e com o facão de cortar coco limpava as unhas. Um dos capangas que entra no barraco arrastando o pobre rapaz, diz:

- Djalmão, o chefe mandou você dar uma enrabadinha nesse cara aí. Disse que esse corretivo é pra ele aprender a não se meter a valente com o pessoal da favela.

A vítima grita de desespero e implora por perdão. O Djalmão rosna qualquer coisa, depois, ignorando os lamentos do infeliz, responde:

- Pode deixar ele aí no canto. Eu cuido dele daqui a pouco.

Quando os homens saem, o rapaz, dirigindo-se ao carrasco, implora:

- Sr. Djalmão, por favor, não faz isso comigo. Deixa eu ir embora. Eu não fiz nada disso! Eu não digo pra ninguém que o senhor me liberou sem a punição.

Djalmão, na maior fleuma, responde:

- Cala a boca e fica quieto aí.

Algum tempo depois chegam mais dois capangas arrastando um outro homem.

- O chefe mandou você cortar as duas mãos e furar os olhos desse elemento aí, diz um dos capangas. É pra ele aprender a não roubar dinheiro das bocas de fumo e nem botar olho gordo no que é dos outros.

Djalmão, com a voz naturalmente grave, diz:

- Deixa ele aí no canto. Eu resolvo já.

Não demora muito e entra no barraco os mesmos dois homens arrastando um outro pobre coitado pelos braços.

- Djalmão, o chefe disse que é pra você cortar o bilau desse camarada aqui. Isso é pra ele aprender a não se meter com a mulher do chefe. Ah! Ele falou mais, disse pra você cortar a língua dele e todos os dedos das mãos também, pra não haver a menor possibilidade de ele tirar sarro com mulher nenhuma da favela, entendeu?

Djalmão, com sua voz grave e troante de sempre, responde:

- Já já eu cuido disso. Bota ele ali no canto junto com os outros.

Os dois capangas saem do barraco e o primeiro rapaz entregue aos cuidados do Djalmão, diz num tom de voz bem baixinho:

- Seu Djalma, com todo o respeito, eu sei que o senhor é um homem muito ocupado e vive atarefado, eu só queria lembrar que é pro senhor não se confundir, eu sou o cara da enrabadinha, tá?

Nenhum comentário: